terça-feira, 11 de maio de 2010

Sobre injustiças...

Um caso muito comum: uma professora que dá esperanças sobre uma falsa possível democracia nas decisões da sala de aula mas exerce a sua doce autoridade monopolizada. O que isso quer dizer? Que além de desobecer um conceito base da regência do nosso país, das nossas escolas, e tão ensinado à nós durante o curso por professores que esperam nos ver exercendo-a durante a gestão de uma instituição qualquer, a professora preferiu valer-se da autoridade para a tomada de uma decisão que afeta ao coletivo tal como faz quando dita suas "regras do jogo", na educação matemática, é quando um fato é imposto e deve ser obedecido sem criticidades e questionamentos. E o que fazemos para combater essas pequenas injustiças que formam nossos grades corruptos? (porque dois atos podem ser igualmente injustos e prejudicar em escalas completamente opostas, permitir os que prejudicam pouco é permitir os que prejudicam muito porque um político corrupto não tem o mesmo conceito que um cidadão trabalhador tem sobre o que significa prejudicar o coletivo. Quem vai medir o grau do prejuizo? Quem vai medir até onde podemos ser injustos? Ninguém pode medir, não é mesmo!?). Nos livrar dessa dominação é um processo doloroso feito através da emancipação do sujeito, conscientizando-o e libertando-o através da educação. Os alunos possuem parte do critério básico para serem livres desse tipo de dominação, eles já estão, graças à Deus, conscientes de que há uma injustiça acontecendo: a democracia é a oportunidade de todos opinarem e da maioria prevalecer sobre a minoria. Não há como mudar o nome. Isso é democracia, e o que não possui tais características não é democracia. Ponto final. A segunda parte necessária para sermos enfim sujeitos emancipados é a coragem de agir. E isso é difícil demais porque não somos ensinados a nos rebeliar. Temos muitas instituições nas nossas vidas e todas elas possuem regras: a família, a igreja, a escola, em todos esses lugares da sociedade há regras que devemos obedecer para sermos inseridos, e não é ensinado em nenhum desses lugares que você discuta as regras. Na família seria uma malcriação, na igreja uma insubmissão, na escola é falta de disciplina. Somos ensinados a obedecer sempre, desde o nascimento, questionar nunca. A turma concordou, em conversas informais no intervalo, de que havia realmente uma injustiça acontecendo. Questionamos, nos organizamos, discutimos a causa e a rebelião pela causa. Um momento de militância muito lindo! Político e poético, eu diria! Mas algo aconteceu:
Todos sentaram-se na sala, aguardando com expectativa a chegada da professora para enfim assistirmos um espetáculo de democracia e militância estudantil.
Vi diante dos meus olhos uma cena ensaiada, não parecia verdade, me senti um espírito que vagava na sala totalmente impotente assistindo imóvel um espetáculo de dominação autoritária. Ela entrou e ditou as regras. Muitos aderiram prontamente, gente dominada, inconsciente. Outros meio emancipados se olharam com ares de dúvida, de receio, um sentimento coletivo de impotência, mas logo se encaixaram no sistema seguindo a velha regra: não pode com eles, junte-se à eles. Não os julgo. Também me acovardei. Me encaixei no sistema e obedeci as regras que foram ditadas. Não reclamo de termos que executar uma atividade, até mesmo porque foi marcada em nossa agenda com antecedência, e minha fúria não provém do fato de que tivemos que fazê-la, mas sim do fato em que a turma de educadores que vão pra esse mundão formar novos cidadãos não passam de inconcientes dominados e alguns conscientes acovardados. De forma indescritível, desenvolvi uma inquietação enorme perante injustiças. Assisti a cena paralisada e ouvi em silêncio por 10 minutos a minha consciência me chamar de incompetente, de fraca, covarde. Saí de sala fazendo um teatro, desolada me dirigi ao banheiro, sorrindo e fingindo que estava tudo bem, quando ouvia ainda a consciência dizer: "vai fugir do problema? sair não muda o fato de que você permitiu uma injustiça lá dentro, e o pior.. .você vai ter que voltar uma hora". Não consigo escrever aqui o que foi o processo de engolir a militância e me encaixar no sistema. Não há palavras que descrevam as dores, isto mesmo, não apenas a consciência mas também meu corpo respondeu com repulsa e com dores, não consigo descrever o que foi aquilo. Restou para mim, após o episódio, um pouco mais de teatro até chegar em casa, um pouco mais de indignação e ofensas da parte da consciência, um pouco mais do sentimento de impotência, uma crise de estresse e, finalmente, coragem para escrever e encorajar também minhas companheiras de militância que se acovardaram junto comigo mas creio esperançosamente que juntas podemos nos emancipar. Esperançosamente...